Mais uma vez, a SATA falhou aos Jorgenses. E desta vez não há desculpas que possam
esconder o problema.
Com boas condições meteorológicas em São Jorge, o voo foi cancelado, deixando
passageiros em terra e comprometendo ligações internacionais, incluindo passageiros que tinham viagens para os Estados Unidos.
Isto não é apenas um voo cancelado. É o reflexo de um problema que se arrasta há
demasiado tempo e para o qual continuam a não existir respostas políticas à altura.
A SATA é uma empresa dos Açores. É nossa. É sustentada, directa ou indirectamente,
pelo dinheiro dos Açorianos. E é precisamente por isso que os Açorianos têm o direito de exigir um serviço regular, competente e digno.
Os Jorgenses não podem continuar a pagar para depois serem abandonados quando
mais precisam do serviço da sua própria companhia aérea.
E aqui há responsabilidades políticas que não podem ser ignoradas.
Onde está o Governo Regional?
Onde estão as explicações?
Onde está a defesa dos passageiros e das populações das ilhas mais pequenas?
Até quando vai o Governo aceitar que os Jorgenses sejam prejudicados e tratados como se fossem passageiros de segunda categoria?
É fácil falar de coesão territorial, de desenvolvimento das ilhas e de combate à
desertificação. Difícil é garantir transportes aéreos que funcionem quando os Açorianos precisam deles.
Não queremos discursos. Não queremos promessas. Queremos responsabilidades,
explicações e soluções.
Quem vive em São Jorge tem os mesmos direitos de quem vive em qualquer outra ilha
dos Açores.
A SATA não pode exigir a confiança dos Açorianos enquanto continua a falhar
precisamente com aqueles que mais dependem dela.
Uma empresa nossa deve servir quem a sustenta.
E se quem governa não é capaz de exigir isso, então terá de explicar aos Jorgenses
porquê.
José Brasil
Dirigente Regional do CHEGA Açores em São Jorge

