Estive em São Jorge, por ocasião das primeiras Jornadas Parlamentares e Autárquicas do CHEGA, e regresso com uma convicção ainda mais forte: os Açores não podem continuar a ser governados a duas velocidades.
Visitar uma ilha como São Jorge é também perceber, no terreno, que a realidade açoriana está longe de ser igual em todo o arquipélago. E se essa diversidade é uma das maiores riquezas dos Açores, não pode servir de desculpa para justificar desigualdades no acesso a serviços, oportunidades e investimento público.
Nas ilhas mais pequenas, os problemas ganham outra dimensão. Uma dificuldade na saúde, na mobilidade, na habitação ou no transporte de mercadorias pode transformar-se rapidamente num obstáculo sério à vida das famílias e à atividade das empresas.
São Jorge é um bom exemplo dessa realidade. Tem pessoas que trabalham, empresas que investem, jovens que querem construir o seu futuro e produtos de enorme qualidade, como o Queijo de São Jorge, que levam o nome dos Açores muito além das nossas fronteiras. Mas continua a enfrentar dificuldades que resultam da insularidade e que exigem respostas específicas.
Durante demasiado tempo, governar os Açores significou anunciar investimentos, repetir promessas e acreditar que aquilo que serve para uma ilha serve necessariamente para todas as outras. Não serve.
A velha máxima de tratar de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente assume aqui particular importância. As ilhas mais pequenas não precisam de favores. Precisam que as suas especificidades sejam reconhecidas e que a coesão regional deixe de ser apenas uma expressão repetida nos discursos políticos.
Não podemos aceitar que um jovem tenha menos razões para permanecer na sua terra simplesmente porque nasceu em São Jorge, nas Flores, no Corvo ou na Graciosa. Nem podemos aceitar que uma família ou um empresário tenham de enfrentar dificuldades acrescidas sem que o poder político procure compensar efetivamente essas desigualdades.
Para o CHEGA não existem açorianos de primeira e açorianos de segunda. Também não podem existir ilhas de primeira e ilhas de segunda.
Foi precisamente por isso que escolhemos São Jorge para estas Jornadas. A política regional não pode ser feita apenas dentro dos gabinetes ou olhando para números numa folha de cálculo. É preciso percorrer as ilhas, falar com as pessoas, ouvir quem trabalha, quem produz, quem investe e quem todos os dias enfrenta problemas que, vistos à distância, podem parecer pequenos, mas que condicionam profundamente a vida de uma comunidade.
Somos nove ilhas, mas somos uma só Região.
São Miguel, Santa Maria, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo têm realidades diferentes, mas os açorianos que nelas vivem devem ter a mesma dignidade e merecer a mesma atenção de quem governa.
Nenhuma ilha pode ser condenada pela sua dimensão ou pela sua distância. Nenhum açoriano pode sentir que vive longe demais para ser ouvido.
Esse é um compromisso que deve estar acima de qualquer partido: fazer dos Açores uma Região onde viver numa ilha mais pequena seja uma escolha e nunca uma desvantagem.
Porque a verdadeira Autonomia só faz sentido quando chega a todas as ilhas e serve todos os açorianos.
Paula Martins do Vale
Dirigente e Deputada Municipal do CHEGA em Ponta Delgada

