A Autonomia dos Açores foi uma conquista do Povo Açoriano, existe para servir os Açorianos e é pelos Açorianos que deve melhorar, rumo ao futuro.
Foi esta a premissa do discurso do líder parlamentar do CHEGA Açores, José Pacheco, na sessão evocativa dos 50 anos da Autonomia dos Açores. Uma conquista que, “supostamente, mudou profundamente os Açores. Mas não nos enganemos: a Autonomia não foi uma oferta de Lisboa”.
José Pacheco recordou que a Autonomia nasceu da distância, do abandono e “da necessidade de sermos nós, Açorianos, a decidir uma parte importante do nosso próprio destino. A Autonomia foi uma conquista do Povo Açoriano”.
E é, por isso, que afirmou que a Autonomia “não pertence aos Governos. Não pertence aos partidos. Não pertence aos Presidentes. Não pertence aos Deputados. A Autonomia pertence ao Povo!”. Pertence, isso sim, “ao agricultor que trabalha a terra. Ao pescador que enfrenta o mar. Ao trabalhador que luta todos os meses para pagar as contas. Aos mais velhos, que conheceram uns Açores mais pobres e mais esquecidos. E aos nossos jovens, que continuam a perguntar se têm futuro na terra onde nasceram”.
É, por isso, que José Pacheco disse não entender como é que num ano inteiro de celebrações da Autonomia o Povo Açoriano ficou de fora das comemorações.
“Fizeram-se cerimónias. Juntaram-se Presidentes, antigos Presidentes, governantes, políticos e personalidades. As elites estiveram presentes. Mas eu pergunto: e o Povo? Onde estavam aqueles que trabalham todos os dias? Onde estavam aqueles que nunca tiveram um cargo, nunca tiveram um gabinete, nunca receberam um convite para uma cerimónia oficial, mas trabalharam uma vida inteira pelos Açores? Esta devia ter sido, acima de tudo, a festa deles!”, reforçou.
Sendo que foi a vontade e a inconformidade do Povo que promoveu e conquistou a Autonomia dos Açores, “não podemos aceitar uma Autonomia fechada entre paredes, protocolos e elites, enquanto o povo fica à porta”.
A razão é simples: “porque sem o Povo não há Autonomia. Há apenas um sistema político. E a Autonomia não existe para alimentar o sistema. Existe para servir as pessoas”.
Deixado esta ideia inicial de descontentamento, José Pacheco referiu que em cinquenta anos os Açores mudaram, mas nem tudo foi conseguido e o futuro não se augura ser muito mais impactante, mostrando falhas que é preciso ter em conta para que os Açores possam, efectivamente, oferecer um futuro apetecível ao seu Povo.
“Também falhámos. Falhámos quando os nossos jovens continuam a partir. Falhámos quando há famílias que não conseguem ter uma casa. Falhámos quando alguém espera meses por uma consulta. Falhámos quando o fruto do trabalho já não chega para viver com dignidade. E falhámos quando continuamos demasiado dependentes de outros para sobreviver”, afirmou.
“Por isso, celebrar cinquenta anos de Autonomia também exige coragem para reconhecer aquilo que ainda está mal. Mais Autonomia tem de significar mais responsabilidade” e coragem para dizer que os Açores “são adultos” e conseguem fazer o seu caminho.
“Não precisamos de tutelas políticas desnecessárias. Sabemos respeitar a Constituição. Sabemos assumir as nossas responsabilidades. E sabemos decidir o nosso futuro”, graças à experiência acumulada ao longo de cinquenta anos de lutas e de inconformismo.
Agora, é preciso olhar para o futuro e permitir que os Açores sejam uma terra de futuro. “Precisamos de uma Autonomia que crie riqueza. Que fixe os nossos jovens. Que apoie quem trabalha. Que proteja as famílias. Que respeite o dinheiro dos contribuintes. E, acima de tudo, precisamos de uma Autonomia que volte para onde sempre deveria ter estado: JUNTO DO POVO!”, afirmou José Pacheco.
E é pelo facto da Autonomia pertencer ao Povo Açoriano – “dos que ficaram. Dos que partiram. Dos que regressaram. Dos que trabalharam. Dos que sofreram. E dos que continuam a acreditar nestas nove ilhas” – que José Pacheco traça o que falta fazer para os próximos cinquenta anos.
“Com menos dependência. Com menos acomodação. Com mais responsabilidade. Com mais coragem. E, sobretudo, com o Povo dentro da Autonomia e nunca à porta dela! Porque os políticos passam. Os Governos passam. Os Presidentes passam. Mas o Povo fica! E é ao Povo que a Autonomia pertence”, concluiu ao reforçar que é tempo de trabalho para levar a Autonomia a um novo patamar. Um patamar que permita um futuro digno e com confiança, para quem acredita que estas nove ilhas têm competência, têm recursos, têm potencial, têm gente capaz de fazer melhor e têm, de forma inquestionável, futuro.
Horta, 4 de Setembro de 2026
CHEGA I Comunicação
AUTONOMIA FOI UMA CONQUISTA DO POVO AÇORIANO E PERTENCE AO POVO
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