O Grupo Parlamentar do CHEGA Açores quer conhecer todos os contornos que envolveram a saída da Ryanair da Região e exige ao Governo Regional explicações sobre os valores pagos à companhia aérea, as negociações realizadas para tentar manter a operação, a perda de lugares, o impacto no turismo e nos preços das passagens e a estratégia para recuperar a capacidade aérea perdida.
Num requerimento entregue na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o CHEGA recorda que poucos meses antes da decisão da Ryanair de abandonar os Açores, tinha sido admitida publicamente a possibilidade de reabertura da base da companhia aérea em Ponta Delgada.
Além disso, em Março de 2025, a Visit Azores celebrou com a Ryanair um contrato no valor de 1,885 milhões de euros, acrescido de IVA, destinado à promoção dos Açores nos mercados externos.
O CHEGA quer agora saber qual foi o valor total pago, directa ou indirectamente, à Ryanair ou a empresas do mesmo grupo entre 2015 e 2026 pelo Governo Regional, Visit Azores/ATA ou outras entidades financiadas pela Região, bem como as propostas apresentadas pelo Executivo regional para evitar a saída da companhia e as razões que levaram ao fracasso das negociações.
“Os Açorianos têm o direito de saber quanto dinheiro público esteve envolvido nesta relação, quais eram as contrapartidas e que resultados foram obtidos”, afirma o líder parlamentar do CHEGA Açores, José Pacheco.
Embora ressalve que a evolução negativa do turismo nos Açores não pode ser exclusivamente atribuída à saída da Ryanair, o CHEGA recorda que o próprio Governo Regional reconheceu que a perda deste operador provocou uma redução da oferta de lugares e efeitos na procura.
“Não estamos a dizer que a saída da Ryanair explica, por si só, a evolução do turismo nos Açores. Isso seria simplificar uma realidade muito mais complexa. Mas quando desaparece um operador com este peso, reduz-se a oferta de lugares e diminui a concorrência, é obrigação do Governo avaliar concretamente as consequências e apresentar soluções”, salienta José Pacheco.
A evolução dos preços das passagens aéreas é outra das questões levantadas no requerimento e José Pacheco afirma que “para uma Região Ultraperiférica, as ligações aéreas não são um luxo. São fundamentais para os residentes, para as empresas e para o turismo. Menos oferta e menos concorrência podem significar passagens mais caras e menor capacidade para atrair visitantes. Queremos saber se isso está a acontecer e, sobretudo, o que está o Governo a fazer para contrariar essa situação”, acrescenta.
O CHEGA exige igualmente esclarecimentos sobre o Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores, criado entretanto, pretendendo conhecer o seu estado actual, que companhias e novas rotas estão a ser negociadas e qual o prazo previsto pelo Governo Regional para recuperar a capacidade aérea perdida.
Para José Pacheco, mais do que discutir apenas as razões da saída da Ryanair, é necessário perceber qual é a estratégia que existe para o futuro das acessibilidades aéreas dos Açores.
“A Ryanair já saiu. Agora é preciso saber o que falhou, quanto custou aos Açores esta relação e quais foram as consequências da saída. Mas, acima de tudo, queremos saber qual é o plano do Governo para recuperar rotas, lugares e concorrência. Os Açores não podem ficar à espera que as companhias apareçam. Precisamos de uma estratégia clara para garantir mais ligações, preços competitivos e condições para que o nosso turismo continue a crescer”, conclui José Pacheco.
Ponta Delgada, 28 de Agosto de 2026
CHEGA I Comunicação

