Depois da enorme polémica causada pela exclusão dos agricultores açorianos dos apoios nacionais aos fertilizantes e aos custos de produção, foi preciso que o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, se deslocasse a Lisboa para exigir aquilo que nunca deveria ter sido necessário pedir: justiça para os agricultores açorianos. Poucos dias depois, o Governo da República acabou por recuar e corrigir a discriminação.
A pergunta que fica é simples: onde esteve o Governo Regional durante todo este processo?
Quando a exclusão foi tornada pública, o próprio presidente do Governo Regional classificou a situação como “insana” e “inaceitável”. Também Jorge Rita denunciou a discriminação e exigiu a correção da medida.
Mas se era assim tão insano, tão injusto e tão inaceitável, porque foi necessário que fosse a Federação Agrícola a assumir a linha da frente?
Estamos a falar de dois governos da mesma cor política. Um está em Lisboa. Outro está em Ponta Delgada. E quando os agricultores açorianos foram deixados para trás, quem teve de bater à porta da República não foi o Governo Regional, mas sim os representantes do setor agrícola.
Isto leva-nos a uma reflexão inevitável: para que serve um Governo Regional que não consegue fazer valer a sua influência junto do Governo da República quando os interesses dos Açores estão em causa?
Quando chega a hora das fotografias e dos discursos, aparecem todos. Quando chega a hora de resolver problemas concretos, acabam por ser as associações, as federações e os próprios agricultores a fazer o trabalho que devia ser feito por quem governa.
O mais irónico é que, depois de resolvido o problema, muitos aparecerão para reclamar os méritos da solução. Mas a verdade é teimosa: quem levantou a voz, quem denunciou a injustiça e quem pressionou pela correção foi o setor agrícola açoriano.
Por isso, os parabéns são merecidos para Jorge Rita e para todos aqueles que não aceitaram esta discriminação.
Já ao Governo Regional fica uma pergunta incómoda: se não consegue impedir que os Açores sejam excluídos de apoios nacionais, nem resolver o problema sem intervenção externa, afinal qual é o peso político que tem junto dos seus próprios parceiros em Lisboa?
Os agricultores açorianos merecem respeito. E respeito não se mede por declarações indignadas depois dos factos. Mede-se pela capacidade de evitar que estas injustiças aconteçam. E, desta vez, quem evitou a injustiça não foi o Governo Regional. Foi quem teve de ir a Lisboa exigir aquilo que os Açores tinham direito a receber desde o primeiro dia.
AFINAL É A LAVOURA QUE TEM DE IR A LISBOA RESOLVER OS PROBLEMAS DOS AÇORES
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