Desde quando Marques Mendes representa a direita democrática em Portugal? Essa é a pergunta que muitos portugueses fazem — e com toda a razão. Mendes nunca foi, nem é, a expressão de uma direita firme, coerente e popular. É antes o rosto gasto de um sistema acomodado, habituado à alternância confortável entre PS e PSD, essa “padinha” que durante décadas se revezou no poder sem nunca verdadeiramente o largar.
E se André Ventura ultrapassar a votação de Montenegro nas legislativas, como muitos no PSD já admitem em surdina que pode acontecer? O choque será enorme para quem sempre viveu protegido pelas paredes do regime. Não estavam habituados a vozes mais altas no Parlamento? Temos pena. Habituem-se. E não vai ser só no Parlamento: vai ser também nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Municipais e nas Juntas de Freguesia deste Portugal real, que começa finalmente a fazer-se ouvir.
A “padinha” entre PS e PSD irá acabar. O povo já está a perceber — e bem. Qual representante da direita, qual quê! Tenham tino. A direita democrática não se faz de comentadores permanentes que têm sempre o discurso feito à medida, de políticos de estúdio que tentam impor ao público aquilo que querem que passe, nem de carreiras feitas à sombra do aparelho. E não, Marques Mendes não estava destreinado, como alguns agora querem fazer passar. O eleitorado é que percebeu que são os mesmos de sempre… há cinquenta anos. Os mesmos métodos, os mesmos rostos, os mesmos circuitos de poder.
Negócios e negocinhos através da política, cargos em empresas públicas, gabinetes fantasma, pelouros televisivos e colunas bem pagas nos jornais. É o tudo por tudo para não perderem os tachos. Eles circulam, hoje deputados, amanhã em um qualquer organismo. Muitos desses organismos que para nada servem… apenas para assentar algum desvalido.
É por isso que vemos hoje o espetáculo da incoerência absoluta: quem destilava raiva contra António José Seguro há bem poucos anos, agora apela descaradamente ao voto na sua candidatura. Tudo vale quando os do sistema sentem que o chão lhes foge.
Mas não passarão. O país mudou, o eleitorado mudou, e a paciência acabou.
João Luís da Câmara
Dirigente CHEGA da Ribeira Grande

