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A VITÓRIA DE ANDRÉ VENTURA ESTÁ GARANTIDA PELA MÃO DE CAVACO SILVA

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Em política, há apoios que valem ouro. E depois há os de Cavaco Silva, que funcionam exactamente ao contrário. Se existisse uma versão política do “toque de Midas invertido”, o antigo Presidente da República seria o seu maior expoente: tudo o que toca eleitoralmente acaba derrotado — e, muitas vezes, de forma humilhante.
O mais recente episódio deste longo historial foi o apoio público de Cavaco Silva a António José Seguro. Para muitos, este gesto pode parecer irrelevante ou até institucional. Para quem conhece o percurso de Cavaco enquanto “padrinho político”, trata-se antes de um selo de garantia… de derrota. E é precisamente aqui que entra André Ventura: não por mérito directo de Cavaco, mas graças ao seu inegável dom de empurrar candidatos para o abismo eleitoral.
O passado fala por si. Cavaco Silva apoiou o BPN, envolvido em negociatas que tinham como figura central o seu amigo Oliveira e Costa — mais tarde preso por corrupção. Garantiu aos portugueses que o BES era um banco sólido e saudável; uma semana depois, o banco colapsava, arrastando consigo poupanças, confiança e milhares de vidas. Este não é um padrão acidental. É um histórico consistente.
No plano partidário, o episódio de Marques Mendes permanece quase mítico. Um apoio feito através de um vídeo que mais parecia uma comunicação do além — solene, deslocada, fantasmagórica. O resultado foi o previsível: uma derrota pesada e politicamente devastadora. Sempre que Cavaco aparece para “ajudar”, o eleitorado parece ouvir um alarme silencioso a tocar.
É por isso que o recente apoio a António José Seguro deve ser lido com atenção. Não como um reforço, mas como um aviso. Cavaco Silva representa um passado que muitos portugueses rejeitam: o da austeridade sem empatia, o da proximidade com interesses financeiros falidos, o facto de ter mantido José Sócrates no poder e depois mais tarde ter dito que “foi enganado” – algo surreal para quem foi político mais de 30 anos. Cavaco Silva é um exemplo acabado da incapacidade de assumir responsabilidades políticas. O seu apoio não soma votos — afasta-os.
Assim, ironicamente, Cavaco Silva acaba por desempenhar um papel decisivo na actual conjuntura política: ao apoiar Seguro, abre espaço para que André Ventura capitalize o voto de protesto, a revolta contra o sistema e a rejeição das figuras do “antigo regime”. Não por virtude directa, mas por contraste absoluto entre o que representa Cavaco Silva (um passado sombrio) e o que representa André Ventura (de um Portugal de futuro).
Por isso, só resta dizer: obrigado, Cavaco Silva. Obrigado por mais uma vez mostrares que, quando escolhes um lado, os eleitores fazem questão de escolher o outro. Se André Ventura vencer, a tua mão — pesada e inversamente dourada — estará lá, invisível, mas decisiva, a empurrar a história no sentido oposto ao pretendido.

Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores