Em primeiro lugar, endereço os meus votos de Ano Novo a todos os Açorianos.
Que tenham uma paciência quase sobrenatural, muita força e uma fé inabalável, pois tudo indica que 2026 será um ano difícil, começando desde já no transporte aéreo.
No dia 30 de dezembro de 2025, a SATA Azores Airlines informou os seus clientes de que, a partir de 1 de janeiro de 2026, a aceitação de carga passaria a estar condicionada nas ilhas das Flores, Graciosa, São Jorge, Faial e Santa Maria, devido ao facto de os equipamentos de raio-X aí existentes não cumprirem o Regulamento (UE) 2015/1998.
As soluções apresentadas são, no mínimo, absurdas e reveladoras de um completo desligamento da realidade insular.
Desde a exigência de que a carga seja entregue aberta, até ao cúmulo de a SATA sugerir que a chamada carga WET, onde se inclui pescado e outros bens alimentares frescos, seja enviada por via marítima para outra ilha que cumpra o regulamento. Uma proposta que roça o ridículo e ignora totalmente a urgência e a natureza perecível destes produtos.
Sinceramente, não sei se quem escreveu estas recomendações vive na mesma Região Autónoma que eu, se está completamente desligado da realidade das nossas ilhas, ou se, sabendo perfeitamente o impacto disto tudo, está-se pura e simplesmente a borrifar, afinal, ao fim do mês, o dinheiro dos contribuintes não falha. É assim que são tratados os clientes da SATA, aqueles que há anos sustentam uma empresa deficitária e parasitária.
Como se não bastasse, esta situação é comunicada apenas dois dias antes da sua entrada em vigor, demonstrando um profundo desrespeito pelos clientes e pelas empresas afetadas. E depois admiram-se da situação financeira em que o Grupo SATA se encontra.
Convém recordar que o Regulamento (UE) 2015/1998 foi aprovado em 2015 e entrou em vigor a 1 de fevereiro de 2016, definindo claramente os requisitos técnicos para equipamentos de rastreio por raio-X e sistemas de deteção de explosivos. Isto não caiu do céu, não foi surpresa, não foi azar e muito menos surgiu ontem. Foram anos de faz-de-conta, enquanto o dinheiro que faltou para investir foi pagando os ordenados chorudos dos tachos políticos do costume.
Este Governo Regional, tal como os anteriores, tiveram mais de nove anos para resolver esta situação: planear, investir, modernizar equipamentos e defender os interesses dos Açores. Não fizeram nada.
E desde maio de 2025 que existia confirmação da Comissão Europeia de que o regulamento teria de ser cumprido.
Fingir agora que foram apanhados desprevenidos é mentir descaradamente aos açorianos, tratando-os como se fossem ingénuos ou ignorantes.
O impacto desta negligência nas empresas e nas famílias das ilhas afetadas será brutal, com consequências diretas e gravíssimas para quem depende do transporte aéreo de mercadorias, com um impacto sem precedentes no setor das pescas.
As promessas de coesão territorial e social não passam de retórica eleitoral, porque no fim são sempre os mesmos a pagar a fatura.
O maior inimigo das empresas, das famílias e dos trabalhadores açorianos não é o mercado, não é a distância, nem é o clima. É, sem sombra de dúvidas, um Governo Regional incompetente que, passados cinco anos, mantém exatamente a mesma política do passado: tirar onde faz falta e colocar onde apenas faz vista.
Isto não é governar.
Isto é ir-se governando com os impostos dos açorianos.
José Paulo Sousa
Deputado do CHEGA Açores




