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A POLÍTICA DO CANCELAMENTO: NEM O NATAL ESCAPA!

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Há coisas que deveriam estar acima de modas ideológicas, militâncias importadas e agendas artificiais. O Natal é uma delas. No entanto, chegámos a um ponto em que até o Natal passou a ser alvo da chamada política do cancelamento. Sim, nem o Natal escapa.

Em nome de uma suposta inclusão, apaga-se aquilo que somos. Em nome de não “ofender”, elimina-se a nossa história. Em nome de minorias, cala-se a maioria. E tudo isto acontece com uma naturalidade assustadora, como se fosse normal retirar presépios, evitar referências ao Menino Jesus ou transformar o Natal num evento neutro, vazio e descaracterizado.

Não é inclusão. É apagamento cultural.

Portugal, e os Açores em particular, têm uma identidade profundamente marcada pelo Cristianismo. Isto não é uma opinião, é um facto histórico, cultural e social. O Natal não é apenas uma festa religiosa; é tradição, é família, é comunidade, é memória coletiva. Cancelar símbolos natalícios não cria respeito, cria ressentimento. Não promove integração, promove divisão.

Mais grave ainda é a hipocrisia instalada. É uma vergonha querer acabar com as nossas tradições em nome da neutralidade, enquanto continuamos a ver, dentro das escolas e de edifícios públicos, bandeiras ideológicas, slogans políticos e cartazes que transmitem falsidades históricas. Exemplos não faltam, como a ideia repetida à exaustão de que a escola pública começou com o 25 de Abril, apagando deliberadamente décadas de ensino, professores e instituições que existiam muito antes.

Afinal, a neutralidade só se aplica quando convém.

Quem vem viver para Portugal vem para um país com identidade própria. Tal como nós respeitamos outras culturas quando estamos fora, também é legítimo exigir que a nossa seja respeitada cá dentro. Integração não é exigir que o país se ajoelhe e se anule. Integração é adaptação mútua, com bom senso e respeito, e não a submissão de uma cultura inteira a uma ideologia minoritária e ruidosa.

A política do cancelamento vive do medo: medo de críticas, medo de rótulos, medo de polémicas artificiais. E quando o medo manda, a razão desaparece. Hoje cancela-se o Natal; amanhã cancela-se a língua, os costumes, a história. Nada disto acontece por acaso, acontece porque muitos preferem calar-se para não incomodar.

Mas há limites. E o Natal é um deles.

Defender o Natal não é ser intolerante. Intolerante é querer apagar símbolos, tradições e valores que definem um povo, enquanto se impõem narrativas ideológicas no espaço público. Defender o Natal é defender a nossa identidade, a nossa liberdade cultural e o direito de sermos quem somos sem pedir desculpa por isso.

Nem tudo tem de ser cancelado. Nem tudo tem de ser diluído. E há coisas que devem ser ditas sem rodeios: o Natal é nosso, faz parte de nós, e não será apagado por modas ideológicas passageiras.

Porque um povo que cancela a sua própria cultura está a desistir de si mesmo. E isso, sim, é inaceitável.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores