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A POLÍTICA DO CALOTE

O Governo Regional diz que está tudo bem: que os Açores crescem há 40 meses consecutivos, que a dívida está controlada, que temos a taxa de desemprego mais baixa de sempre, etc., etc.
Tudo isto pode até ser verdade, mas esconde outra verdade, indesmentível: o Governo não paga a tempo e horas a ninguém.

E o mais grave é que isso já nem é tema de conversa nos cafés. Tornou-se normal. A sociedade civil resignou-se a esta forma de fazer política. O que temos hoje nos Açores é a política do calote — o rei vai nu.

IPSS sem dinheiro para pagar salários e subsídios;

Empresas de transporte há meses sem receber;

Associações desportivas a adiar participações porque os apoios não chegam;

Empresas que não recebem os incentivos a que têm direito;

Avisos de candidaturas que não abrem porque o Governo não tem dinheiro para pagar a sua parte (apenas 15%);

Empresas públicas, como a SATA, que ainda não pagaram o subsídio de Natal.

Quando o Estado não paga, alguém sofre — e nunca é o Governo.
Sofrem os trabalhadores, sofrem as associações, sofrem as empresas, sofre a economia. Sofrem os Açorianos.

E, enquanto tudo isto acontece, continuam a anunciar mais observatórios, mais centros interpretativos, continuam a passear como se nada fosse e continuam até a nomear esposas de políticos da coligação para cargos políticos.

Pior ainda: quem denuncia esta bandalheira já chega ao ponto de ser ameaçado de morte.

É tempo de dizer chega a esta vergonha.

Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores

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