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DEIXEM-NO ACABAR O MANDATO COM DIGNIDADE!

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O professor Marcelo é um daqueles fenómenos que a ciência política não explica: tinha
tudo para dar certo, mas acabou num monumental fracasso.

Sem nunca ter tido um currículo político brilhante – perdendo quase todas as eleições em que foi candidato – ficou conhecido mais pelos mergulhos no Tejo do que por alguma ideia consistente para o país. Foi comentador de televisão durante décadas, opinando sobre tudo e sobre nada, capaz de defender uma ideia e o seu contrário na mesma semana. Perito em dissecar problemas e em apontar alternativas, raramente se comprometia com uma solução. Ora vestia a pele de governante, ora de jornalista de investigação, ora de cidadão comum. E quando nada disso colava, surgia o catedrático Marcelo, especialista em Direito Constitucional, a ditar sentenças sem contraditório.

A sua simpatia exuberante pareceu, no início, uma lufada de ar fresco. Confesso que votei nele em 2016, mesmo depois de Passos Coelho ter avisado que não apoiaria “um
protagonista catalisador de contrapoderes, um catavento de opiniões erráticas em função da mediatização política”. Passos, como se vê, tinha razão. Afinal, o famoso episódio da vichyssoise – em que Marcelo inventou um jantar secreto com conversas confidenciais e até um menu pormenorizado – não era exceção: era a regra, a sua marca. Provavelmente as tais “fontes de Belém” não são fontes, mas a fonte.

Começou o mandato presidencial com popularidade altíssima, beneficiando do estado de graça mediático e do esquecimento conveniente sobre o seu passado. Esqueceu-se a ligação ao Estado Novo, o facto de o seu padrinho de batismo ter sido Marcelo Caetano e de o pai ter sido ministro do Ultramar. Até o facto de nunca ter cumprido o serviço militar obrigatório alegadamente por problemas cardíacos e não por ser afilhado de Marcelo Caetano passou entre os “pingos da chuva”. Tudo varrido para baixo do tapete em nome do “Presidente dos afetos”.

Depois da derrota de António Costa em 2015 contra Passos Coelho, transformada em
vitória por António Costa com a geringonça, Marcelo não hesitou: abriu os braços à solução socialista, alimentado pela sua azia pessoal contra Passos Coelho. Fez de conciliador, deu cobertura às reversões da Troika, fechou os olhos ao desastre da TAP que custou mais de 3,4 mil milhões de euros ao erário público, ignorou a degradação total dos serviços públicos como a saúde, os vencimentos dos trabalhadores do estado: das policias, dos professores, dos médicos, dos guardas prisionais, dos enfermeiros etc. Ignorou as maternidades fechadas, doentes a morrer em ambulâncias, o SIRESP em colapso e do caos absoluto na saúde, os casos de corrupção que proliferavam que nem cogumelos.
Nem sequer moveu uma palha quando o governo facilitou a entrada de milhões de imigrantes ilegais – nada fez, nada disse, nada criticou, limitando-se a servir de “joguete”
de António Costa até ser humilhado naquele episódio em que pediu a demissão do ministro João Galamba e António Costa ignorou. Nem as 13 demissões de governantes no fim do governo de António Costa em pouco mais de um ano, o fez levantar a voz. Se não tivesse rebentado o escândalo dos 75.800 euros escondidos no gabinete de Costa, e se o primeiro-ministro não tivesse caído, Marcelo ainda hoje andaria de braço dado com António Costa a dançar o tango enquanto o Titanic (Portugal) se ia afundando.

Só que depois veio o caso das gémeas, as fugas de informação de Estado – incluindo a data da visita de Costa a Kiev em plena guerra, pondo em risco segurança do Estado – e Marcelo começou a perder o encanto, culminando com Luís Montenegro, discípulo de Passos, a retirar-lhe o palco mediático, e sem palco Marcelo definha, entra em desespero.

Hoje, o Presidente já não é o apaziguador, mas uma espécie de sombra apagada de um
passado glorioso. Comenta leis como se fosse ele o primeiro-ministro, como o caso da lei da imigração, ameaçando que a maioria ia ser julgada por isso – note-se uma maioria que pode mudar a constituição. Manda recados ao governo sobre os incêndios, fala em
“mensagens subliminares” ao Governo – tudo sintomas de quem está magoado por lhe
terem tirado aquilo de que mais gosta: o protagonismo.

E quando seria tempo de refletir e preparar uma saída com dignidade, Marcelo prefere
abraçar causas da extrema-esquerda: recebe Lula da Silva com pompa e circunstância, diz que Portugal tem uma “dívida para com as ex-colónias” e chega ao ridículo de afirmar, na Universidade de Verão do PSD, que Donald Trump é “objetivamente um ativo soviético, ou russo”.
Já ninguém aguenta. Os portugueses rezam para que o mandato acabe depressa. Nunca
as frases de Cavaco sobre Mário Soares foram tão atuais:
– “Entretenham-se nos Palácios, nos almoços, na intriga e na criação de factos políticos… mas deixem-nos trabalhar”.
– “Anormal nesse período foi a ação do Presidente da República”.
– E, claro, “é preciso ajudar o Presidente a acabar o mandato com dignidade”.
Pois bem: temos mesmo de ajudar Marcelo a acabar o mandato com dignidade. E, sobretudo, temos de garantir que nunca mais Portugal tenha em Belém um Presidente que, como Passos Coelho avisou, não passa de um catavento de opiniões erráticas ao sabor das câmaras e da mediatização – como é o caso de Marques Mendes, a cópia infiel de Marcelo.

Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores
Candidato pelo CHEGA à Câmara Municipal da Praia da Vitória