Todos admiramos e respeitamos os nossos Bombeiros, e com razão. São eles que enfrentam as chamas, salvam vidas e colocam-se em risco por todos nós. Mas, por trás da farda, há um ser humano. Um cidadão como qualquer outro, com medos, necessidades e direitos. E, infelizmente, com dramas que a sociedade muitas vezes ignora.
Recebemos a denúncia de um bombeiro nos Açores que, vítima da crise habitacional que assola a região, viu-se forçado a viver no seu veículo. Um profissional que dedica a vida a proteger os outros… sem um teto sobre a própria cabeça. Não por escolha, mas porque o mercado de arrendamento se tornou insustentável. Porque a burocracia emperra soluções. Porque as casas existem, mas os preços afastam quem vive do seu salário, e não de lucros imobiliários.
Enquanto o labirinto de reservas agrícolas, ecológicas e tudo o mais, documentos, “processos” e entraves continua a crescer, cresce também o número de açorianos, trabalhadores, famílias, idosos, que não conseguem garantir o mais básico: UMA CASA DIGNA. E quando nem mesmo um bombeiro consegue um lar, é sinal de que o sistema falhou por completo.
Não importa se é bombeiro, professor, pescador ou enfermeiro: todos devem ter o direito a uma habitação compatível com os seus rendimentos. Uma casa segura, acessível, humana. Porque viver não pode ser um luxo. Porque a dignidade não pode ser um privilégio.
Não basta bater palmas. É preciso agir.

