É preocupante que, em pleno regime democrático, haja profissionais que se sintam pressionados, intimidados ou perseguidos por pensarem de forma diferente ou por não alinharem com determinadas posições políticas.
Há funcionários que estarão a ser vítimas destas situações e outros que, perante um ambiente que consideram insustentável, já terão optado por se despedir. Quando alguém sente que tem de abandonar o seu posto de trabalho para preservar a sua dignidade, estamos perante uma situação que merece ser levada muito a sério.
A competência profissional deve valer mais do que a obediência política. Ninguém deve ser alvo de humilhação, intimidação, discriminação ou represálias por ter opiniões diferentes.
Um partido político faz parte do sistema democrático, mas isso não lhe dá o direito de transformar as diferenças de opinião em motivos de pressão ou exclusão. Pelo contrário, quem participa na vida democrática deve dar o exemplo, respeitando a liberdade, a pluralidade e a dignidade de todos.
É inaceitável que o medo, a desinformação e as narrativas de intimidação continuem a condicionar a vida profissional das pessoas. Quando os profissionais têm medo de falar, quando se calam para evitar consequências e quando outros acabam por sair, é legítimo questionar o ambiente que está a ser criado.
As situações suspeitas de assédio moral, discriminação ou retaliação devem ser devidamente investigadas, com seriedade, imparcialidade e respeito por todas as pessoas envolvidas.
A democracia não se resume a eleições nem se defende com discursos. Demonstra-se nas atitudes, no respeito pelas diferenças e na forma como se trata quem pensa de maneira diferente.
Porque pensar diferente não é um crime, não é uma falha profissional e nunca deve ser motivo de perseguição. A democracia não se defende com medo, desinformação ou intimidação. Defende-se com liberdade, coragem e respeito pela dignidade de cada pessoa.
José Brasil
Dirigente Regional do CHEGA Açores em São Jorge

