A História ensina-nos que o poder e o domínio sobre as nações evoluíram. Houve um tempo em que as fronteiras se redesenhavam a ferro e fogo, com exércitos, guerras e mortes. Com o fim trágico da Segunda Guerra Mundial, percebeu-se que a conquista de um território já não compensava o custo humano e material. Seguiu-se a era do confronto ideológico: o comunismo, nascido na Europa e exportado para todo o mundo, com a sua promessa de igualdade forçada, tentou esmagar por dentro a liberdade individual e a iniciativa privada, sufocando economias inteiras sob o peso do Estado centralizador.
Pelo seu poder devastador, o comunismo foi uma arma de «destruição maciça» altamente eficaz, que transformou países ricos em miseráveis e provocou milhões de mortes. Tal como a radioatividade, os seus efeitos não desaparecem e ainda persistem em várias partes do mundo – até entre nós, infelizmente.
Contudo, os tempos mudam e as armas também. Hoje, o engenho da ruína económica e social encontrou um veículo mais subtil, insidioso e, ironicamente, aplaudido pelos próprios governados: a União Europeia e a sua infindável teia de regulamentação e burocracia, a par de bandeiras como as agendas climáticas que arrasam a economia, o wokismo e a imigração descontrolada.
A melhor forma de subjugar e arruinar um país já não exige tanques, mísseis ou comissários políticos. Basta aplicar o manual de Bruxelas. O veneno atual serve-se em doses diárias de burocracia, relatórios de sustentabilidade, normas ambientais kafkianas e dogmas assentes na obsessão pela pegada de carbono.
Sob o nobre pretexto de proteger o planeta, impõe-se um centralismo tecnocrático que paralisa a inovação e estrangula o tecido produtivo. A China e os Estados Unidos assistem, impávidos e serenos, a este suicídio coletivo.
Veja-se o que fizeram à agricultura, setor vital metódica e cinicamente empurrado para o desmantelamento por normas absurdas, enquanto se escancara a porta à importação massiva de produtos de todo o mundo que não cumprem nenhuma das exigências impostas aos europeus.
No mar, proíbe-se e restringe-se a atividade dos nossos pescadores – como no absurdo de proteger estritamente o atum nos mares europeus –, apenas para assistirmos ao espetáculo anedótico de ver o mesmo peixe ser capturado sem restrições, a escassos quilómetros de distância, por outras frotas, para depois ser importado de volta.
No setor da energia, a farsa atinge o indescritível. Fecham-se centrais a carvão e desativam-se fontes de produção nacional em nome de uma pureza ambiental de fachada, obrigando cidadãos e empresas a pagar faturas de energia incomportáveis, para, logo a seguir, se comprar energia produzida fora da Europa, gerada nas mesmas centrais a carvão ou por métodos altamente poluentes. Isto é uma palhaçada suicidária.
Já não é preciso o velho comunismo para aniquilar países; basta criar mais burocracia e mais regulamentos para que o produtor europeu desista, enquanto o mercado é inundado por mercadorias estrangeiras isentas desta asfixia burocrática.
Dominar uma nação deixou de ser um ato de guerra aberta para se tornar um processo burocrático.
A Europa ambientalista e burocrática, contaminada pelo wokismo e pela imigração descontrolada, está a corroer a economia deste clube de antigos ricos, que se está a transformar num clube de falidos e otários.
A Europa tem uma arma de destruição maciça altamente eficaz – a burocracia –, que relegou o comunismo para os museus da História.
Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores

