O tema não é novo, mas o problema continua a manter-se. Para onde quer que vá, as queixas sobre as dificuldades em adquirir uma habitação são mais que muitas e o desespero, principalmente, dos casais mais jovens, é cada vez maior.
Actualmente, ter uma casa nos Açores está a tornar-se um luxo. Aquilo que deveria ser uma etapa natural da vida de qualquer cidadão transformou-se num verdadeiro pesadelo para milhares de famílias, sobretudo para os jovens.
Os preços das casas quer para compra, quer para renda atingem valores incomportáveis e os salários continuam longe de acompanhar o custo de vida.
Para muitos jovens açorianos, comprar casa deixou de ser um objectivo alcançável e passou a ser um sonho adiado indefinidamente. Por outro lado, para muitas famílias, pagar a renda significa sacrificar outras necessidades essenciais.
Estamos perante um cenário desolador e sem respostas concretas e suficientes de quem nos governa. Não basta reconhecer que existe uma crise na habitação. É preciso ter coragem para a resolver!
Um dos problemas centrais está na insuficiência da oferta habitacional. Durante demasiado tempo, falou-se do direito à habitação sem se dar a devida prioridade à construção de novas casas, à recuperação de imóveis devolutos e à criação de condições para aumentar a disponibilidade de habitação no mercado.
Não se pode pedir aos jovens que permaneçam nos Açores quando não lhes são dadas condições para comprar ou arrendar uma casa. E não se pode continuar a ignorar as famílias que trabalham, cumprem as suas obrigações e, ainda assim, não conseguem suportar os custos de uma habitação digna.
Precisamos, com a máxima urgência, de uma política de habitação que vá para além dos discursos políticos. É fundamental simplificar e acelerar os processos de licenciamento, reduzir os entraves burocráticos à construção, disponibilizar terrenos para habitação e criar incentivos à construção de casas a preços acessíveis.
Os jovens trabalhadores e os casais que procuram iniciar uma vida independente precisam de respostas. Uma política pública eficaz deve garantir apoio aos mais vulneráveis, mas sem esquecer todos aqueles que, apesar de terem emprego e rendimentos, não conseguem aceder ao mercado habitacional.
Uma Região que não consegue garantir habitação aos seus jovens está a comprometer o seu próprio futuro. A habitação tem de deixar de ser uma promessa eleitoral e passar a ser uma prioridade política inadiável!
Olivéria Santos
Deputada e Vice-Presidente do CHEGA AÇORES

