Fala-se muito de inclusão, de igualdade de oportunidades e dos direitos das pessoas com deficiência. Mas será que esses princípios estão a ser cumpridos na prática?
Chegou ao nosso conhecimento a situação de uma mãe, que vive e trabalha no nosso Concelho da Ribeira Grande cujo filho, um jovem com trissomia 21, tem previsto no seu Plano Educativo Individual (PEI) um apoio de oito horas semanais. Contudo, segundo a sua exposição, apenas estão a ser asseguradas três horas, ficando cinco horas por cumprir.
Por detrás destes números está uma mãe preocupada com o desenvolvimento, a autonomia e o futuro do seu filho. Está uma família que pede respostas e condições adequadas para que um jovem possa desenvolver as suas capacidades e preparar-se para uma vida adulta com dignidade.
Não se trata de procurar culpados sem conhecer todas as circunstâncias, nem de criar conflitos com a escola. Trata-se de exigir esclarecimentos e, acima de tudo, soluções.
Se um plano educativo prevê determinados apoios, importa perceber por que razão não estão a ser integralmente disponibilizados e que medidas serão tomadas para corrigir a situação.
A inclusão não pode ser apenas uma palavra bonita em discursos oficiais ou documentos administrativos. Tem de traduzir-se em recursos, acompanhamento e oportunidades reais.
Uma sociedade mede-se também pela forma como cuida dos mais vulneráveis e pela capacidade de não deixar as famílias sozinhas perante dificuldades que deveriam merecer respostas concretas.
Esta mãe não pede privilégios. Pede que as necessidades do seu filho sejam respeitadas e que os apoios de que necessita sejam efetivamente assegurados.
É uma reivindicação legítima. E é uma questão à qual as entidades responsáveis devem responder com clareza, responsabilidade e sentido de humanidade.
Porque, quando falamos de inclusão, não basta prometer. É preciso cumprir.
João Luís da Câmara
Dirigente e Deputado Municipal do CHEGA na Ribeira Grande

