Para um açoriano, viajar para fora da Região não é um luxo. É, muitas vezes, uma necessidade. É ir ao médico, estudar, trabalhar, tratar de assuntos familiares ou simplesmente ter acesso a serviços que não existem nas nossas ilhas ou ir de férias.
É precisamente por isso que o sistema de apoio à mobilidade deveria ser simples, rápido e acessível. Mas aquilo que deveria ser um mecanismo de compensação pela nossa condição insular transformou-se, demasiadas vezes, numa verdadeira prova de resistência burocrática.
Os sucessivos problemas no acesso à plataforma destinada aos reembolsos das viagens dos açorianos são uma vergonha e um problema político e administrativo que afecta directamente quem precisa deste reembolso, que é seu por direito.
Não consigo compreender como pode um sistema que foi criado para facilitar a vida dos cidadãos tornar-se numa dificuldade tão grande e confusa.
Quando a plataforma não funciona, quando o acesso é difícil, quando surgem erros, bloqueios ou dificuldades na submissão dos pedidos, quem fica prejudicado não é uma máquina. É uma pessoa. É uma família que já teve de suportar o custo de uma viagem, muitas vezes elevado, e que fica depois à espera de recuperar aquilo a que tem direito.
A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas. Não pode ser usada como desculpa para a burocracia, ou, pior ainda, como uma arma de arremesso do Governo de Montenegro contra os açorianos.
O Governo da República está a tratar os açorianos como cidadãos de segunda ou terceira categoria. A insularidade já representa uma desvantagem objectiva. Os custos das deslocações, o tempo perdido e a dependência do transporte aéreo são realidades que não podem, nem devem, ser ignoradas.
Por isso, quando até o acesso ao próprio mecanismo de reembolso falha, estamos perante uma dupla penalização: primeiro, o cidadão paga o preço da insularidade; depois, enfrenta a burocracia para conseguir recuperar o que lhe é devido.
O Governo e as entidades responsáveis têm de garantir uma plataforma estável, funcional e acessível, mas também canais alternativos para que nenhum cidadão fique impedido de apresentar o seu pedido por causa de uma falha informática.
Não estamos a pedir um favor. Estamos a exigir que um direito seja exercido sem obstáculos desnecessários.
A mobilidade dos açorianos não pode continuar dependente de plataformas que falham, de procedimentos confusos e de uma burocracia que parece esquecer que, do outro lado do ecrã, está uma pessoa.
Olivéria Santos
Deputada e Vice-Presidente do CHEGA Açores

