InícioOpiniãoEDUCAÇÃO NOS AÇORES NÃO PODE SER FEITA DE REMENDOS

EDUCAÇÃO NOS AÇORES NÃO PODE SER FEITA DE REMENDOS

Falar de Educação nos Açores é falar do futuro da nossa Região. E é precisamente por isso que não podemos continuar a esconder problemas estruturais atrás de anúncios, plataformas digitais, computadores ou discursos políticos.

Uma escola não se faz apenas de tecnologia. Faz-se de edifícios dignos, professores, assistentes operacionais, alunos e famílias. Faz-se de condições adequadas para ensinar e aprender.

Hoje, temos escolas onde a degradação é evidente. Problemas de humidade e infiltrações, coberturas, fachadas, caixilharias, pavimentos, instalações sanitárias, redes eléctricas e espaços desportivos continuam a exigir intervenções. A Escola Secundária de Lagoa é um exemplo das dificuldades existentes, tal como foram denunciadas situações relacionadas com temperaturas e ventilação inadequadas na Escola Gaspar Frutuoso, na Ribeira Grande.

Durante anos construíram-se escolas sem que a manutenção e a preparação para o futuro recebessem a atenção necessária. O resultado está à vista: comunidades educativas obrigadas a trabalhar em condições que não podemos considerar aceitáveis.

Mas os problemas não ficam pelos edifícios. Faltam professores e assistentes operacionais. Apesar da colocação de mais 114 assistentes operacionais neste ano lectivo, continuam a existir escolas com carências. E quando faltam profissionais, aumenta a pressão sobre quem permanece e são os alunos que acabam prejudicados.

Também não podemos ignorar o impacto das ausências prolongadas por causa das baixas médicas. É preciso distinguir o que é doença real de situações abusivas. Até para se proteger aqueles que estão de baixa médica real.

Precisamos, sem mais demoras, de fiscalizar quando existem indícios e, sobretudo, garantir que nenhum aluno fica sem aulas, penalizando quem prejudica o sector com falsas declarações.

Os Açores precisam de um plano sério para recuperar e manter o parque escolar, de uma política eficaz de recrutamento e fixação de professores, de assistentes operacionais em número suficiente e de menos burocracia para quem ensina. Precisam também de fiscalização, avaliação e responsabilização.

Investir na Educação é investir no futuro. Mas não basta gastar: é preciso garantir que o investimento produz melhores escolas e melhores resultados.

Os nossos alunos merecem mais do que uma Educação de remendos. Merecem escolas dignas, profissionais valorizados e condições para construir o futuro dos Açores.

Olivéria Santos
Deputada do CHEGA AÇORES

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