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11 DE SETEMBRO – O DIA EM QUE UMA PALAVRA ENTROU NA MINHA VIDA

Há dias que ficam na História. E há dias da História que, por circunstâncias inesperadas, também ficam para sempre na nossa história pessoal. No dia 11 de Setembro de 2001, eu estava nos Estados Unidos, em Pawtucket, Rhode Island, uma região profundamente ligada à emigração portuguesa e açoriana.

Tinha acabado de fazer 23 anos e estava ali com o grupo de folclore da minha freguesia, a Vila de São Sebastião, na ilha Terceira. Na véspera, nós, os mais novos, ainda pensámos ir até Nova Iorque. Acabámos por desistir da ideia porque no dia seguinte regressávamos aos Açores, com partida de Boston.

Na manhã de 11 de Setembro fomos acordados com a notícia de que um avião tinha embatido numa das Torres Gémeas. Sentámo-nos em frente à televisão. A minha primeira reação foi provavelmente a mesma de milhões de pessoas – “deve ter sido um acidente”. Depois vimos, em direto, o segundo avião atingir a outra torre. Lembro-me de pensar -“Isto é estranho”.

Naquele instante, sem o percebermos, o mundo estava a mudar diante dos nossos olhos. Seguiu-se o caos. O nosso voo foi cancelado. Os responsáveis pelo grupo tentavam perceber o que fazer e como regressar a Portugal. Nos Açores, as nossas famílias procuravam desesperadamente contactar-nos e durante horas tiveram enormes dificuldades em conseguir fazê-lo. E nós, os mais novos, com a inconsciência própria dos 23 anos, acabámos por passar parte da tarde na piscina.

Talvez este seja um dos pormenores de que mais me recordo quando penso naquele dia, enquanto o mundo assistia horrorizado a algo que mudaria a História, nós ainda não tínhamos verdadeira perceção daquilo que estava a acontecer. Depois daquele 11 de Setembro, não se falava de outra coisa. E foi também nessa altura que uma palavra entrou verdadeiramente no meu vocabulário e na minha consciência, terrorismo.

Passaram 25 anos. Ao longo deste tempo vi documentários, filmes, testemunhos e imagens daquele dia. Conheci melhor os factos, as histórias das vítimas, das famílias, dos bombeiros, dos polícias e de tantas pessoas comuns que, perante o horror, demonstraram uma coragem extraordinária. E percebo hoje aquilo que aos 23 anos não tinha capacidade para compreender, aquele dia mudou a forma como milhões de pessoas passaram a olhar para o mundo.

À medida que crescemos, percebemos que o mundo pode ser um lugar extraordinário, mas também profundamente inquietante. Talvez crescer seja também isto, voltar aos acontecimentos que presenciámos quando éramos jovens e compreendê-los com outros olhos.

Hoje, quando recordo aquela manhã em Rhode Island, penso sobretudo nas quase três mil pessoas que saíram de casa para trabalhar, viajar ou simplesmente viver mais um dia e nunca regressaram. Penso nas famílias que ficaram. Nos que correram em direção ao perigo para salvar desconhecidos. E em todos aqueles para quem o 11 de Setembro não é uma imagem de televisão, um documentário ou uma página de História, mas uma ausência que dura há 25 anos.

Eu estava lá, relativamente perto, naquele dia. Vi tudo através de um ecrã, sem perceber ainda a dimensão do que estava a testemunhar. Porque algumas experiências acompanham-nos durante a vida e vão adquirindo um significado diferente à medida que também nós mudamos.

25 anos depois, recordar o 11 de Setembro é, acima de tudo, recordar as vítimas. Que a sua memória permaneça. E que nunca deixemos de refletir sobre aquilo que o ódio, o fanatismo e a intolerância são capazes de fazer à Humanidade.

Ana Martins
Deputada do CHEGA Açores à Assembleia da República

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