Sempre que alguém fala em baixar a idade da reforma para profissões desgastantes, para quem trabalhou uma vida inteira, descontou durante décadas e chegou ao fim exausto física e psicologicamente, surge logo a brigada do costume: “não é sustentável”, “não há dinheiro”, “o sistema rebenta”, “as contas não permitem”.
Mas curiosamente, as contas parecem funcionar muito bem quando se trata dos de sempre.
Quando aparecem casos de figuras políticas, gestores públicos, administradores e membros da elite do sistema a reformarem-se muito antes da idade normal, muitas vezes com condições especiais, carreiras protegidas e pensões milionárias, o discurso muda. Aí já não se fala em injustiça social. Aí já ninguém faz debates televisivos sobre a falência da Segurança Social.
O trabalhador da construção civil que passou 40 anos a carregar sacos de cimento? Aguenta mais um pouco.
A empregada de limpeza com problemas de coluna? Espere mais uns anos.
O pescador, o agricultor, o operário, o motorista, quem trabalhou em turnos e descontou uma vida inteira? Continuem a produzir até ao limite.
Mas para alguns dos homens do sistema, os atalhos parecem sempre existir.
Casos mediáticos envolvendo nomes como Mário Centeno ou Manuel Pinho reabriram um debate que incomoda muita gente: há regras iguais para todos ou há portugueses de primeira e portugueses de segunda?
Porque a indignação do povo não nasce da inveja. Nasce da comparação. Nasce quando quem acorda às cinco da manhã percebe que lhe pedem mais sacrifícios, enquanto outros parecem viver num regime paralelo.
O problema nunca foi a idade da reforma. O problema é a desigualdade das regras.
É difícil pedir a quem trabalhou uma vida inteira que espere até cada vez mais tarde para descansar, enquanto vê membros do sistema político e financeiro a encontrarem portas laterais, regimes especiais e privilégios que o cidadão comum nunca terá.
No fim, sobra a pergunta que tantos fazem em silêncio:
Se trabalharam menos anos, em profissões menos desgastantes e se reformam mais cedo, porque é que quem carregou o país às costas tem de ficar sempre para o fim da fila?
Porque quando o sistema protege os seus, chamam-lhe estabilidade. Nós chamamos VERGONHA!
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