InícioOpiniãoQUEM AFASTOU AS LOW-COST DOS AÇORES?

QUEM AFASTOU AS LOW-COST DOS AÇORES?

Há uma pergunta que incomoda, mas que tem de ser feita: porque é que as companhias low-cost chegam aos Açores… e acabam sempre por sair?

A resposta fácil é a de sempre: distância, mercado, insularidade. Mas isso não passa de desculpa. Quando a Ryanair entrou na Região, houve mais voos, mais turistas e mais dinamismo. Quando saiu, ficou o vazio. E o mais preocupante é que ninguém parece verdadeiramente surpreendido.

A verdade é simples: as low-cost não ficam onde não há condições. E nos Açores encontraram exatamente isso: custos elevados, regras instáveis, ausência de estratégia… e um fator que quase ninguém quer assumir, um mercado aéreo longe de ser verdadeiramente liberalizado.

Nos Açores continua a existir uma lógica de controlo e condicionamento do espaço aéreo que afasta operadores. Em vez de um mercado aberto, previsível e competitivo, temos um sistema fechado, com regras pouco claras e com forte intervenção política.

E depois há o absurdo: as Obrigações de Serviço Público (OSP), que em vez de servirem apenas para garantir ligações essenciais, acabam muitas vezes por distorcer o mercado. Na prática, criam um ambiente onde operadores privados podem ser empurrados para rotas menos rentáveis, retirando atratividade ao investimento e afastando companhias que vivem da eficiência e da liberdade de operação.

Nenhuma low-cost vem para um mercado onde não pode operar com lógica comercial. Nenhuma empresa entra para perder dinheiro por imposição indireta de um sistema mal desenhado.

Durante anos deixaram o turismo crescer sem garantir o essencial: acessibilidade aérea competitiva. Criaram um sistema dependente de poucos operadores, sem concorrência real, onde os preços sobem e quem paga são sempre os mesmos: os Açorianos.

Hoje continuamos dependentes da TAP Air Portugal e da Azores Airlines. São importantes, mas não substituem um mercado aberto e competitivo. Sem concorrência, os preços disparam. E quando os preços disparam, quem fica preso é quem vive nas ilhas.

O problema nunca foi a geografia. Foi, e continua a ser, político. Faltou visão, faltou coragem e faltou competência para liberalizar, simplificar e criar condições reais para atrair companhias. Nunca houve uma estratégia aérea séria para os Açores. E agora estamos a colher o resultado.

Por isso, a pergunta mantém-se: quem afastou as low-cost dos Açores? Porque uma coisa é certa, não foram elas que saíram por acaso. Alguém criou as condições para que sair fosse a melhor decisão.

Não foi o mercado. Não foi a distância. Foi a incompetência.

E enquanto ninguém assumir responsabilidades, os Açores vão continuar a pagar o preço em isolamento e em economia.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

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