InícioOpiniãoA SEGURANÇA RODOVIÁRIA EM SÃO JORGE NÃO PODE CONTINUAR À ESPERA

A SEGURANÇA RODOVIÁRIA EM SÃO JORGE NÃO PODE CONTINUAR À ESPERA

É perfeitamente legítimo defender a necessidade de intervenção no caminho do Pau Pique. Trata-se de uma questão importante, que merece atenção e uma resposta por parte das entidades competentes. No entanto, importa também não esquecer outras situações preocupantes que afetam diariamente a população da ilha de São Jorge.

Um dos casos que merece especial atenção é o estado de degradação de algumas estradas, nomeadamente na zona da Serra do Topo, em particular no troço entre São Tomé e Santo Antão.

Quem circula diariamente nesta estrada conhece bem a realidade: pisos desnivelados, pavimento em mau estado e ausência de sinalização horizontal, nomeadamente a falta de tinta nas linhas centrais da via. Problemas que, por si só, já representam um risco, mas que se tornam ainda mais preocupantes quando falamos de uma zona onde o nevoeiro é frequente e, muitas vezes, bastante intenso.

Não estamos a falar de uma estrada secundária sem movimento. Estamos a falar de uma via utilizada diariamente por inúmeras pessoas, incluindo viaturas de transporte de passageiros e veículos de emergência, que precisam de circular com segurança, independentemente das condições meteorológicas.

Imagine-se a dificuldade de conduzir numa estrada com o piso irregular, sem linhas centrais devidamente pintadas e com visibilidade reduzida devido ao nevoeiro. Será que estamos a dar a devida importância à segurança de quem utiliza esta estrada todos os dias?

Importa ainda lembrar que os habitantes de São Jorge, e em particular os residentes da zona do Topo, também pagam os seus impostos, incluindo os impostos associados à circulação automóvel. Por isso, têm igualmente o direito de exigir estradas em condições de segurança e manutenção adequadas. Não podem existir cidadãos de primeira e de segunda quando se trata de acesso a infraestruturas rodoviárias dignas e seguras.

A segurança rodoviária não pode ser lembrada apenas quando surge uma situação mais mediática ou quando determinado problema ganha destaque público. Tem de ser uma preocupação permanente, com intervenções preventivas e manutenção adequada das infraestruturas.

É importante reconhecer que as necessidades de uma freguesia ou de uma localidade não devem servir para desvalorizar os problemas de outras. O caminho do Pau Pique merece atenção, sem dúvida, mas a estrada regional da Serra do Topo também merece.

Uma reivindicação não deve anular outra.

O que se pretende não é criar polémica, mas chamar a atenção para uma realidade que exige responsabilidade e ação. Não podemos esperar que aconteça um acidente grave para que se reconheça a urgência de uma intervenção.

A segurança de quem circula nas estradas de São Jorge deve ser uma prioridade. Seja um cidadão que se desloca diariamente para o trabalho, um passageiro de transporte público ou uma equipa de emergência, todos têm direito a estradas com condições de circulação dignas e seguras.

Porque prevenir é sempre melhor do que remediar. E, quando está em causa a segurança e a vida das pessoas, não há lugar para adiamentos.

José Brasil
Dirigente Regional do CHEGA Açores em São Jorge

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