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PORTOS AFOGADOS EM ALGAS E PROMESSAS

Há quem passe a vida a inaugurar placas, a tirar fotografias e a fazer anúncios. Depois chega a hora de governar e o resultado está à vista de todos: portos cobertos de algas, pescadores revoltados e populações abandonadas.
O que aconteceu no Porto dos Carneiros não caiu do céu. Não foi uma surpresa. Não foi um fenómeno impossível de prever. Foi o resultado de anos de desleixo, de falta de manutenção e de uma política que anda sempre atrás dos problemas em vez de os resolver.
Os pescadores pagam licenças, pagam impostos, cumprem regras e trabalham de sol a sol. Em troca, recebem portos degradados, obstáculos à sua atividade e um desfile permanente de desculpas.
É uma vergonha que uma Região que vive do mar permita que os seus portos se transformem em autênticos pântanos de algas.
E quando as populações reclamam, aparecem os especialistas, os estudos, os pareceres e as promessas. Promessas para a semana. Promessas para o mês seguinte. Promessas para o próximo orçamento.
O problema é que as algas não esperam pelos comunicados de imprensa.
Os pescadores também não vivem de promessas.
Quem vive da pesca precisa de soluções. Precisa de limpeza regular. Precisa de manutenção preventiva. Precisa de responsáveis que resolvam problemas em vez de os explicar.
Os Açores não podem continuar a ser governados por quem aparece para as fotografias e desaparece quando chega a hora de trabalhar.
Está na altura de deixar de prometer e começar a agir.
Porque enquanto os governantes falam, as algas crescem.
E enquanto as algas crescem, cresce também a revolta de quem já está cansado de esperar.
Já CHEGA de abandono. Já CHEGA de desculpas. Já CHEGA de promessas.

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