No sector agrícola – como noutros – o desânimo é geral e há questões que têm dificultado cada vez mais a vida dos agricultores nos Açores. Este foi o tema central de uma reunião dos deputados do CHEGA, Francisco Lima e Hélia Cardoso, com a Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), onde foi feito um ponto de situação do sector naquela ilha, nomeadamente das dificuldades que actualmente pressionam o sector.
Entre os temas abordados estiveram o aumento do preço dos combustíveis e dos fertilizantes, a descida do preço do leite pago ao produtor, a quebra do preço da carne, os atrasos nos pagamentos dos apoios agrícolas, o estado degradado dos caminhos agrícolas e a persistente falta de mão-de-obra no sector.
Na reunião os representantes dos agricultores manifestaram grande preocupação com a actual situação do sector, que classificaram como muito difícil, resultado de um desequilíbrio entre o preço dos custos de produção e o preço final dos seus produtos.
Os agricultores expressaram ainda forte inquietação com a demora na transferência das verbas de apoios já prometidos pelo Governo Regional — designadamente os 22 milhões de euros inscritos no Orçamento do Estado para 2026, e os 3 milhões de euros anunciados pelo Governo da República este ano para fazer face ao aumento dos preços dos combustíveis e fertilizantes.
Foi também denunciado o atraso nos investimentos na manutenção dos caminhos agrícolas, bem como a necessidade de reforço da rede de abastecimento de água às explorações. Foi igualmente manifestada preocupação com a falta de transparência nos critérios de aprovação dos projectos de investimento.
A falta de mão-de-obra no sector foi identificada como uma preocupação particularmente grave, bem como o monopólio a que se assiste na ilha Terceira, e que não tem trazido benefícios para os produtores, que continuam a ter o leite mais mal pago dos Açores e até da Europa.
Na prática, os representantes dos agricultores denunciam uma falta de estratégia clara para o sector na Região, que tem levado muitos empresários agrícolas a repensar investimentos e até a continuidade no sector.
No final da reunião, o deputado Francisco Lima não poupou críticas ao Governo Regional e ao Governo da República, acusando ambos de incumprimento sistemático perante os agricultores.
“O que ouvimos hoje é o retrato de um poder político que sistematicamente não cumpre com os agricultores. Temos, nos Açores, um governo que não paga a tempo e horas a ninguém — sejam apoios prometidos há meses, sejam verbas já inscritas no Orçamento regional. Isto não é falta de dinheiro, é falta de vontade e de competência para gerir aquilo que é dos Açorianos. O Governo Regional continua sem estratégia para o sector agrícola, deixando por resolver os principais problemas estruturais que ano após ano voltam a ser os mesmos: caminhos agrícolas ao abandono, falta de água nas explorações, critérios de investimento pouco transparentes e um preço do leite que envergonha os Açores. Os agricultores não pedem favores, pedem que o Estado e a Região cumpram aquilo a que se comprometeram. Enquanto isso não acontecer, o CHEGA vai continuar a exigir respostas e a cobrar responsabilidades a quem de direito”, referiu.
Fonte de vídeo: RTP Açores
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