A política é uma das atividades mais nobres que existem quando é vivida como uma missão de serviço público. É através dela que se tomam decisões que mudam a vida das pessoas, que se constroem soluções para os problemas de um povo e que se define o rumo de um país ou de uma região. O problema nunca foi a política. O problema são alguns políticos e, sobretudo, alguns idiotas que gravitam à sua volta.
Basta abrir as redes sociais ou ler certos comentários para perceber o estado a que chegámos. Há quem nunca tenha assumido uma responsabilidade pública, nunca tenha resolvido um problema de ninguém e nunca tenha construído absolutamente nada, mas passa os dias a distribuir lições de moral. Não apresentam uma única solução. Limitam-se ao insulto, à mentira e à difamação. É muito mais fácil destruir do que construir.
Vejo, essencialmente, três tipos de pessoas que contribuem para o descrédito da política.
Os primeiros são aqueles que já passaram pela política. Enquanto ocuparam cargos, tudo lhes parecia bem. Receberam bons ordenados, usufruíram das regalias, aceitaram nomeações e mantiveram um silêncio confortável. Mal saem, descobrem que afinal tudo estava errado. Passam a insultar as instituições que representaram, os colegas com quem trabalharam e até aqueles que lhes abriram as portas da vida pública.
A pergunta é simples: se tudo era assim tão mau, porque ficaram calados enquanto lá estavam? A coerência mede-se quando custa, não quando já não há nada a perder.
O segundo tipo é aquele que ainda sonha chegar à política, mas não faz a mínima ideia do que isso significa. Vive dos insultos fáceis, das promessas impossíveis e da demagogia barata. Acredita que governar é publicar frases feitas ou apenas lançar acusações, muitas vezes falsas ou difamatórias. Confundem popularidade com competência e indignação com capacidade.
Depois existe a categoria mais perigosa de todas: aqueles que olham para a política como um negócio. Não entram para servir o povo. Entram para servir os seus interesses. Utilizam os cargos para favorecer amigos, familiares, grupos económicos ou o partido. Distribuem lugares, criam nomeações à medida, influenciam decisões e transformam o interesse público numa moeda de troca.
É este compadrio que destrói a confiança das pessoas nas instituições.
É esta promiscuidade entre poder político e interesses privados que leva muitos cidadãos a dizer que “são todos iguais”. E essa é talvez a maior injustiça que se pode cometer contra quem exerce funções públicas com honestidade.
Há ainda aqueles que governam através da arrogância e da prepotência. Julgam que um cargo lhes dá superioridade moral. Tratam quem pensa diferente com desprezo, confundem autoridade com autoritarismo e acreditam que o poder lhes pertence.
Na minha experiência, há uma regra quase infalível: quando falta competência, sobra arrogância. Quem sabe, explica. Quem tem argumentos, convence. Quem governa com humildade escuta antes de decidir. Já quem pouco tem para oferecer refugia-se na intimidação e na prepotência.
Não me cabe a mim dar lições de ética a ninguém. Também não me considero um homem perfeito. Cometi erros e voltarei certamente a cometê-los, porque ninguém é infalível.
Mas há uma coisa que me custa profundamente.
Recuso ser confundido com certos personagens que fizeram da política um instrumento de enriquecimento pessoal, de favorecimento de amigos, de tráfico de influências ou de simples vaidade. Abomino essa forma de estar na vida pública. Não é por essas pessoas existirem que devemos desistir da política. É precisamente por elas existirem que devemos combatê-las e afastá-las das instituições.
Sempre defendi que quem exerce funções públicas deve prestar contas, viver com transparência e colocar o interesse coletivo acima do interesse pessoal. A política não pode ser um emprego vitalício, um negócio ou uma plataforma para satisfazer egos. Deve ser um compromisso com aqueles que confiaram o seu voto.
Continuarei, por isso, a defender aquilo em que sempre acreditei: transparência, mérito, responsabilidade, combate sem tréguas à corrupção, ao compadrio e ao tráfico de influências.
Porque os cargos passam.
O poder passa.
O dinheiro passa.
Mas o caráter fica.
E, no fim de tudo, é isso que verdadeiramente distingue um político de um simples ocupante de um cargo público.
José Pacheco
Deputado e Presidente do CHEGA Açores

