Quando o PSD se recusa a baixar a idade da reforma e prepara-se até para a aumentar em 2027, está na altura de perguntar diretamente aos portugueses:
Preferem permitir que quem trabalhou uma vida inteira se reforme mais cedo ou continuar a sustentar malandros, tachos partidários e desperdício do dinheiro público?
Sempre que se fala em baixar a idade da reforma, o Governo pergunta imediatamente: “Onde vamos buscar o dinheiro?”
A resposta é simples: vamos buscá-lo onde ele está a ser desperdiçado, desviado ou entregue a quem não merece.
Primeiro, é preciso cortar nos tachos políticos e nos lugares de nomeação partidária, ocupados por pessoas cujo único mérito é terem o cartão do partido que governa.
A Administração Pública está a ser infestada de assessores, especialistas e estruturas inúteis, enquanto faltam profissionais em áreas essenciais como a saúde, a educação e a segurança.
Segundo, é preciso ter coragem para acabar com o RSI atribuído a quem pode trabalhar, mas escolhe viver à custa de quem trabalha.
O RSI custa centenas de milhões de euros por ano aos contribuintes. Naturalmente, quem necessita verdadeiramente deste apoio deve continuar protegido. Mas quem recusa trabalhar, engana o sistema ou transforma uma prestação temporária num modo de vida não pode continuar a ser sustentado eternamente.
Mesmo eliminando apenas os abusos e a fraude, sobrariam milhões de euros que poderiam ser canalizados para valorizar as reformas de quem trabalhou e descontou uma vida inteira.
Terceiro, é indispensável travar a corrupção.
Uma das estimativas mais citadas aponta para um custo de cerca de 18,2 mil milhões de euros por ano para Portugal. Atualizando essa ordem de grandeza à dimensão atual da economia, o impacto poderá ultrapassar os 20 mil milhões de euros anuais.
Não se trata apenas do dinheiro diretamente roubado. Trata-se de contratos inflacionados, favorecimentos, obras mal adjudicadas, desperdício, tráfico de influências e decisões tomadas para beneficiar interesses privados ou partidários.
Uma pequena parte desse valor seria suficiente para reforçar a Segurança Social e permitir uma redução progressiva e responsável da idade da reforma.
Não podemos continuar a obrigar portugueses a trabalhar até morrer para sustentar vícios, tachos, incompetência e corrupção.
A idade da reforma pode e deve começar a baixar progressivamente, com o objetivo de chegar aos 60 anos, protegendo sobretudo quem iniciou a vida laboral mais cedo, exerceu profissões desgastantes e descontou durante décadas.
Quem afirma que não há dinheiro está a esconder a verdadeira questão:
O dinheiro existe. Está é a ser mal gasto, mal distribuído e, demasiadas vezes, desviado.
Está na altura de escolher:
ou protegemos quem trabalhou uma vida inteira, ou continuamos a sustentar quem vive do sistema sem nada dar em troca.

