InícioParlamentoCENTRALIDADE DOS AÇORES TEM DE SER REAL E NÃO APENAS UMA VONTADE

CENTRALIDADE DOS AÇORES TEM DE SER REAL E NÃO APENAS UMA VONTADE

Há 50 anos que os Açores insistem no discurso de serem uma posição estratégica no Oceano Atlântico, mas este discurso tem valido de pouco, no real desenvolvimento da Região. “Lisboa acha que os Açores são ainda uma colónia e, até conseguirmos inverter esta visão centralista que há dos arquipélagos, é difícil” alterar a realidade que se vive no arquipélago.
As palavras são do líder parlamentar do CHEGA, José Pacheco, intervindo depois de uma comunicação do Presidente do Governo Regional dos Açores a propósito da centralidade da Região. “Foi um discurso redondo, bonito, mas já sabíamos disso tudo. São meras palavras”, referiu José Pacheco que acrescentou que é essencial falar de centralidade, mas os Açores e a Madeira não podem continuar a ser esquecidos enquanto território contínuo de Portugal.
“É muito bonito falar da centralidade dos Açores, mas depois esquecemos a capitação do IVA, a Lei de Finanças Regionais – foi constituído mais um grupo de trabalho e vamos continuando assim – a mobilidade, a segurança e tantas outras questões”, reforçou o parlamentar.
Quanto à mobilidade, por exemplo, “a República pouco ou nada quer saber de nós. São só falsas promessas, coloca-se a culpa em quem apresenta soluções e não se quer resolver”.
Ao nível da segurança, “que é anedótica”, a República, que é quem tem esta tutela, continua a ignorar os Açores quando são conhecidas as dificuldades ao nível dos recursos humanos e são enviados poucos agentes apenas para reforçar a vigilância aero-portuária.
“Se querem futuro, basta olhar para o mapa. Os Açores estão num ponto estratégico no Atlântico, mas só serve se for efectivamente usado”, afirmou José Pacheco. E, neste sentido, lembrou uma solução que o CHEGA tem vindo a apresentar para retirar verdadeiras contra-partidas das infra-estruturas existentes, por exemplo, na Base das Lajes: um hub comercial na ilha Terceira.
“Nas Lajes para além da solução militar, ou não, podemos ter uma solução comercial. Um hub comercial, com uma plataforma rotativa – Europa, América e África – que geraria riqueza e financiamento para esta Região. Mas é preciso ousadia para o fazer”, desafiou José Pacheco.
Em vez da Terceira, a opção até pode ser a ilha de Santa Maria, que já tem uma boa pista aérea e agora está a apostar no desenvolvimento espacial, podendo funcionar até em simultâneo com a Terceira.
“O que estamos as perder nos Açores, a Bélgica, a Turquia, a Espanha, a Holanda e a Alemanha estão a ganhar”, argumentou José Pacheco. No entanto, sempre que se apresenta uma solução, “há sempre alguma coisa que não se gosta. Temos de andar para a frente, porque hoje em dia o comércio internacional é completamente diferente do que era há 50 anos” e a Região pode aproveitar essa vantagem estratégica que tem. Algo que não tem acontecido até agora.

Horta, 16 de Junho de 2026
CHEGA I Comunicação

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