InícioParlamentoGOVERNO ESCONDE A VERDADE SOBRE A SATA!

GOVERNO ESCONDE A VERDADE SOBRE A SATA!

O Grupo Parlamentar do CHEGA Açores considera inaceitável e politicamente reveladora a resposta do Governo Regional ao requerimento sobre a rentabilidade das rotas da Azores Airlines para o exterior do arquipélago. O Governo limitou-se a entregar a lista das rotas atualmente operadas, mas recusou divulgar aquilo que verdadeiramente interessa aos açorianos: quanto rende cada rota, quanto custa, que prejuízos existem e que decisões estão a ser tomadas com base nesses números.

Em vez de responder com clareza, o Executivo escolheu esconder-se atrás da expressão “informação comercialmente sensível” e do velho escudo do “segredo comercial”. Fê-lo para não revelar a rentabilidade individual das rotas, para não divulgar a taxa média de ocupação por ligação e para não identificar as rotas que registaram prejuízos. Traduzindo por palavras simples: o Governo não quis dizer ao Parlamento nem ao povo açoriano onde é que a SATA ganha, onde é que perde e onde é que se continua a insistir em erros pagos por todos.

O mais grave é que, mesmo tentando fugir ao essencial, o próprio Governo acabou por deixar escapar dados que levantam ainda mais dúvidas. Nos números agregados apresentados, as rotas para Portugal surgem com taxas médias de ocupação superiores às da Europa/África nos últimos três anos, e em 2025 essa diferença é particularmente evidente: 83,20% para Portugal contra apenas 72,40% para Europa/África. Ou seja, até na informação filtrada que decide mostrar, o Governo já deixa perceber que há segmentos da operação internacional com desempenho claramente mais fraco.

Também na questão dos critérios para abertura de novas rotas, a resposta é uma mão-cheia de generalidades. O Governo fala em procura, sustentabilidade económico-financeira, relevância estratégica, conectividade e viabilidade operacional. Tudo muito bonito no papel. O problema é que não apresentou um único estudo, um único indicador objetivo, uma única avaliação concreta que permita perceber como são tomadas estas decisões. Quando o CHEGA pediu o envio dos estudos de viabilidade económica, o Governo recusou mostrá-los. Portanto, ou os estudos existem e estão a ser escondidos do escrutínio democrático, ou são tão frágeis que o Executivo prefere não os expor. Em qualquer dos casos, a responsabilidade política é do Governo.

Há ainda uma admissão que desmonta toda a propaganda oficial. O Governo reconhece que, para além da nova rota Terceira-Funchal, não se perspetiva o lançamento de novas rotas no curto e médio prazo. E reconhece também que, nos últimos dois anos, a companhia cessou operações para três destinos no continente europeu. Isto quer dizer uma coisa muito simples: houve rotas que falharam, houve recuos e houve decisões erradas. Mas, mais uma vez, o Governo recusa dizer quanto custaram esses falhanços e quem responde politicamente por eles.

Para o CHEGA Açores, esta resposta confirma o que há muito se suspeita: quando chega o momento de prestar contas sobre a SATA, o Governo Regional troca a transparência pelo encobrimento, a responsabilidade pelo silêncio e o respeito pelo Parlamento por um exercício de arrogância política. Os açorianos não podem continuar a ser tratados como se não tivessem direito a saber a verdade sobre uma empresa estratégica que há anos pesa nas contas da Região e condiciona a mobilidade, a economia e a imagem externa dos Açores.

José Pacheco afirma: “O Governo não respondeu ao que era essencial. Não negou prejuízos, não mostrou estudos, não explicou decisões e não quis abrir os números. Quando se trata da SATA, há sempre uma desculpa para esconder a verdade. O que esta resposta prova é simples: o Governo tem medo do escrutínio, porque sabe que os açorianos começariam finalmente a perceber a dimensão real da má gestão.”

O CHEGA Açores continuará a exigir transparência total sobre a operação da Azores Airlines. Porque o dinheiro é público, porque o impacto é regional e porque já chega de uma SATA protegida pela opacidade, pela propaganda e pela falta de coragem política.

Ponta Delgada, 6 de abril de 2026

O Grupo Parlamentar do CHEGA Açores

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