Há datas que não devem passar apenas como tradição. A Páscoa é uma delas.
Para quem vive a fé, a Páscoa é o triunfo da vida sobre a morte, da luz sobre a escuridão, da esperança sobre o desespero. Mas mesmo para quem a olha de forma mais cultural do que religiosa, há uma verdade que permanece: a Páscoa fala-nos sempre de renascimento, de recomeço, de transformação.
E eu acredito sinceramente que os Açores precisam disso.
Precisam de recomeçar em muita coisa. Precisam de voltar a acreditar em si próprios. Precisam de recuperar a confiança de que esta terra não está condenada a viver entre remendos, promessas adiadas e oportunidades perdidas.
Durante demasiado tempo habituaram-nos a uma política sem ambição. Uma política que se limita a ir gerindo dificuldades, como se governar fosse apenas administrar carências, distribuir desculpas e pedir paciência ao povo. E a verdade é que os açorianos já tiveram paciência a mais.
Quem conhece esta Região como eu conheço sabe que os Açores não são uma terra de resignados. Somos um povo duro, trabalhador, resistente, habituado a enfrentar o mar, a distância, a instabilidade e a incerteza. Somos um povo que já passou por muito e que nunca deixou de se levantar. E é por isso que me custa ver tanta energia desperdiçada, tanta capacidade travada e tanta gente boa empurrada para uma vida abaixo daquilo que merece.
A Páscoa recorda-nos precisamente isto: cair não é o fim. O fim é desistir de nos levantarmos.
E eu recuso essa desistência para os Açores.
Recuso aceitar como normal que tantos jovens continuem a olhar para fora da Região como única saída para terem futuro. Recuso aceitar que se vá alimentando a dependência em vez de se criar autonomia. Recuso aceitar que se governe para manter equilíbrios partidários quando o que era preciso era coragem para mudar o rumo.
Tenho dito muitas vezes, e volto a dizê-lo agora: ajudar quem precisa é um dever moral e social. Mas uma coisa é apoiar. Outra, muito diferente, é acomodar. Uma sociedade saudável não empurra os mais frágeis para a margem, mas também não os prende a uma vida sem horizonte. A verdadeira solidariedade não eterniza a dependência. A verdadeira solidariedade levanta, devolve dignidade, cria condições, abre portas.
É essa visão que eu defendo para os Açores.
Uma Região onde o trabalho seja valorizado a sério. Onde as famílias sejam respeitadas. Onde os jovens sintam que vale a pena ficar. Onde quem investe e produz não seja tratado como suspeito. Onde o mérito volte a contar. Onde a política tenha a coragem de dizer a verdade, mesmo quando a verdade incomoda.
Porque esse é também um problema dos nossos tempos: habituámo-nos à política da maquilhagem. Diz-se que está tudo a andar, mesmo quando as pessoas sentem no bolso, na casa, no emprego e na vida que não está. Multiplicam-se anúncios, eventos, inaugurações e frases bonitas. Mas a realidade, essa, não se comove com propaganda.
E os açorianos sabem distinguir muito bem entre palavras e obra.
É precisamente por isso que continuo a acreditar que esta terra pode dar a volta. Não porque viva de ilusões. Não porque ache que os problemas desaparecem com discursos. Mas porque conheço a força do nosso povo. Conheço a fibra das nossas famílias. Conheço a fé que ainda existe em tantas casas. Conheço a capacidade de sacrifício de quem todos os dias faz pela vida sem aplausos, sem manchetes e sem favores.
É nessa base que se constrói futuro.
Não é na subsidiação permanente da resignação. Não é na conversa mole. Não é no paternalismo político. É na coragem. É na responsabilidade. É na exigência. É no trabalho. É na confiança de que os Açores podem ser mais do que aquilo a que nos quiseram habituar.
A Páscoa traz-nos essa lição com uma força tremenda: depois da dor, pode haver renovação. Depois da noite, pode voltar a haver manhã. Depois do desânimo, pode nascer uma vontade nova.
Mas isso exige de nós mais do que emoção passageira. Exige caráter. Exige decisão. Exige a capacidade de olhar para os erros sem medo e de escolher um caminho diferente.
Eu quero esse caminho para os Açores.
Quero uns Açores mais livres da dependência, mais fortes na sua identidade, mais justos para quem trabalha, mais preparados para dar futuro aos seus filhos. Quero uma terra onde a esperança não seja apenas palavra de ocasião, mas projeto concreto. Quero uma Região que não viva de esmolas políticas, mas da dignidade de um povo que sabe o seu valor.
Nesta Páscoa, é essa a mensagem que deixo: não percamos a fé nem a coragem.
Porque um povo que ainda acredita em si mesmo é um povo que ainda pode vencer.
E eu continuo a acreditar, com toda a convicção, que os Açores ainda podem vencer.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
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