AS MAMAS SAGRADAS DO REGIME AÇORIANO

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Tenho denunciado repetidamente aquilo que muitos preferem calar: as vacas sagradas do regime, protegidas por interesses corporativos, que colocam os seus privilégios muito acima do interesse coletivo. Classes profissionais inteiras que, aproveitando-se da fragilidade política dos governos regionais e da agressividade de certos sindicatos, transformaram o Orçamento da Região numa verdadeira vaca leiteira.
Os números falam por si e são escandalosos. No maior hospital da Região, os gastos com pessoal aumentaram mais de 20% apenas nos primeiros três meses. No terceiro maior hospital, o aumento ultrapassou os 17%. Em empresas públicas como a SATA, há registos de aumentos superiores a 30% em determinadas categorias profissionais. Isto não é gestão — é um regabofe, um “salve-se quem puder” pago por todos os açorianos.
Mas ainda mais graves do que estas vacas sagradas são as verdadeiras mamas sagradas do regime: as empresas públicas, os institutos, os observatórios, os serviços e os organismos artificiais criados exclusivamente para empregar os mamões do sistema.
Nada se privatiza nos Açores não por razões justificáveis, mas porque existe um exército de militantes, boys e girls partidários que precisam de colocação imediata. Ser líder dos partidos do sistema — PS, PSD e agora também CDS e PPM — é hoje ser um mordomo político, cuja função principal é distribuir cargos, tachos e avenças a amigos, afilhados e até familiares.
É um festim obsceno, à custa dos contribuintes açorianos.
Todos os dias o Jornal Oficial enche-se de nomeações. Todos os dias surgem denúncias de concursos públicos feitos à medida, descaradamente viciados, sem qualquer pudor ou vergonha. É tudo feito à vista de toda a gente, porque o regime perdeu o medo e perdeu o norte.
Enquanto isso, a dívida da Região bate recordes históricos. E o Presidente do Governo Regional arrisca-se a entrar para a história como o primeiro líder de um governo que se diz de direita a conduzir os Açores para a falência financeira. Não por falta de alertas do CHEGA, mas por falta de coragem
política para cortar nas mamas sagradas do regime.
Ou então é o que diz o povo: “mamar é doce”.

Francisco Lima
Deputado e Vice-Presidente do CHEGA Açores