O povo venezuelano saiu à rua, na Venezuela e por todo o mundo, para celebrar a libertação do país e a prisão de Nicolás Maduro.
Celebrar liberdade não é propaganda; é um instinto humano básico. E convém esclarecer: não há anúncio de invasão norte-americana. O que está em cima da mesa é uma transição pacífica para a democracia, com respeito pelas instituições e pela vontade popular. É isso que devemos defender quando se derruba uma ditadura.
Ainda assim, ao ouvir os porta-vozes da canhota nos vários canais televisivos, ficamos confusos. Invocam o “direito internacional”, falam de “invasões”, multiplicam cenários imaginários e ignoram o essencial: um regime caiu porque o povo não aguentou mais. Curiosamente, se o regime venezuelano fosse de direita, o aplauso ideológico seria imediato. Como era de esquerda, a reação é previsível: relativizar, desculpabilizar, confundir.
A pergunta impõe-se, sem rodeios: a canhota quer o regresso de Maduro ao poder?
Pelos discursos e pelas narrativas, é difícil concluir outra coisa. Rasgam vestes com o “processo”, mas fecham os olhos à repressão, à fome, à perseguição política e ao êxodo de milhões. Chamam “prudência” ao que, na prática, é conivência.
Ditadores sanguinários, terroristas e opressores têm de cair, custe o que custar, porque a alternativa é aceitar a normalização do medo e da miséria. O mundo precisa de paz e de democracia. E, sejamos francos, é cada vez mais difícil encontrá-las em regimes que, em nome da esquerda, sacrificam a liberdade.
A História não absolve quem escolhe o silêncio quando o povo grita. E desta vez, o povo venezuelano foi claro.
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores



